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A partir de quantos rótulos vale a pena flexografia em vez de digital?

Marketing Lotus05 de outubro de 20266 min de leitura
imgg

Não existe ponto de equilíbrio universal entre flexografia e impressão digital. Procuramos em FINAT, TLMI, Smithers e ABIEA: nenhuma associação do setor publica esse número. O que decide a conta são três variáveis — tiragem por SKU, número de cores e número de versões — e a seguir está como cada uma pesa.

Esse ponto merece ser dito antes de tudo, porque o número de "53 mil etiquetas" circula bastante na internet. Ele vem de um blog de fornecedor americano que, no próprio texto, declara os valores como ilustrativos. Não é dado de mercado e não serve para orçar nada.

Por que o custo da flexografia é fixo e o da digital é variável

Na flexografia, cada cor de cada arte exige um clichê fotopolímero próprio. Isso não é política comercial, é característica do processo: a chapa carrega a imagem de uma única separação de cor. A conta do ferramental, portanto, é multiplicativa: número de clichês = número de cores × número de SKUs.

Seis cores em 12 rótulos diferentes são 72 clichês. Os mesmos seis cores em 24 rótulos são 144. Quando a empresa dobra o número de versões, dobra o ferramental e corta pela metade a tiragem de cada uma — o custo fixo por etiqueta sobe muito mais rápido do que a intuição sugere.

Some a isso a faca de corte e o cilindro porta-clichê, que são dedicados ao repique. A BOBST MASTER M5, por exemplo, trabalha com repique de impressão de 140 a 610 mm e repique de corte de 280 a 610 mm. Mudou o formato do rótulo, muda o ferramental.

Na impressão digital não há clichê. Trocar de arte é trocar de arquivo. O custo de preparação existe, mas não escala com a quantidade de versões.

Quanto a flexografia é mais rápida, em números

Velocidade máxima declarada em catálogo de fabricante, em metros lineares por minuto:

  • Mark Andy Performance P9 — flexo — 305 m/min
  • Mark Andy Performance P7 — flexo — 230 m/min
  • Nilpeter FB-3 — flexo — 228 m/min
  • BOBST MASTER M5 — flexo — 200 m/min
  • Nilpeter FA-4 — flexo — 175 m/min
  • Durst Tau 340 RSC — digital jato UV — 80 m/min, resolução 1200 × 1200 dpi
  • HP Indigo 8000 — digital — 80 m/min
  • Epson SurePress L-6534VW — digital jato UV — 50, 30, 15 ou 7,6 m/min conforme o modo, resolução 600 × 1200 dpi

A faixa é clara: flexografia entre 175 e 305 m/min, digital entre 7,6 e 80 m/min. Conforme o par comparado, a flexo roda de 2,2 a 40 vezes mais rápido.

O dado mais revelador dessa lista é a Epson. A mesma máquina entrega 50 m/min no modo mais rápido e 7,6 m/min no modo de maior qualidade — uma queda de 6,6 vezes. Em impressão digital, velocidade e qualidade são a mesma variável. Em flexografia, não são: a qualidade está travada no clichê e na anilox, e a máquina roda na mesma velocidade.

A resolução do clichê é melhor do que a maioria imagina

Existe uma ideia antiga de que flexografia não faz detalhe. As fichas técnicas de fotopolímero mostram outra coisa. As chapas finas usadas em rótulo — DuPont Cyrel DPL 45 e DPL 67 — trabalham com reticulagem de 175 lpi (70 linhas por centímetro) e reproduzem a faixa tonal de 1% a 98%. As chapas mais grossas, DPL 107 e DPL 112, ficam em 150 lpi (60 linhas por centímetro) com faixa de 1% a 95%.

Uma advertência metodológica que quase nenhum material do setor faz: lpi e dpi não são comparáveis diretamente. Lpi é a frequência da retícula de meio-tom; dpi é a densidade de endereçamento de gotas do cabeçote. Não existe fator de conversão entre os dois, e qualquer texto que diga "1200 dpi equivale a X lpi" está inventando.

E a cor exata da marca?

Aqui há dois estudos publicados, e eles medem coisas diferentes.

Para digital, o estudo da FTA conduzido pelo Dr. Abhay Sharma, em 2019, testou as 1.846 cores da biblioteca PANTONE+ Solid Coated. A Epson SureColor P9000 reproduziu de 89% a 94% da biblioteca com ΔE abaixo de 2. A HP Indigo 7900 ficou entre 77% e 87%, na mesma tolerância.

Para flexografia, o trabalho do Dr. Kai Lankinen apresentado no TAGA 2023 mediu gamut expandido: CMYK de alto pigmento simulou cores PMS abaixo de 3,00 ΔE em 75% dos casos; acrescentando laranja, verde e violeta, o índice subiu para 91%. O volume de gamut do CMYK de alto pigmento foi 14% maior que o do CMYK padrão.

Não cruze os dois percentuais. Um usa ΔE menor que 2 e o outro, menor que 3. Os 91% da flexografia não são "melhores" que os 87% da HP Indigo — são outra régua.

O que importa na prática é que o gamut expandido ataca o problema da cor especial por outro caminho: um conjunto fixo de sete cores cobre a maior parte da paleta Pantone sem clichê dedicado por cor especial. O mesmo estudo registrou redução de consumo de tinta entre 15% e 69% nas conversões analisadas.

Como fazer a conta no seu caso

  1. Tiragem por SKU, não tiragem total. Um pedido de 100 mil etiquetas em um único rótulo e um pedido de 100 mil divididos em 20 rótulos são trabalhos completamente diferentes.
  2. Número de cores da arte. Cada cor é um clichê, por SKU.
  3. Previsão de alteração. Rótulo que vai mudar por exigência regulatória ou por sazonalidade descarta ferramental junto.
  4. Prazo. Em tiragem longa, a velocidade da flexo deixa de ser economia e passa a ser viabilidade de prazo.

O que os dados de mercado dizem sobre onde está o volume: segundo o relatório da Smithers sobre tiragens, 78,7% de toda a embalagem impressa em 2022 saiu em tiragens acima de 5 km², e a faixa que mais cresce até 2027 é a abaixo de 1.000 m², com 16,2% de crescimento projetado. O grosso do volume continua em tiragem longa, e o crescimento está na tiragem curta. É exatamente por isso que os dois processos convivem.

Perguntas frequentes

Qual processo tem melhor qualidade de impressão?
Depende do que se mede. Digital tem vantagem em imagem fotográfica e degradê suave, com endereçamento de 1200 × 1200 dpi. Flexografia tem vantagem em cor chapada, branco opaco e acabamentos especiais, com reticulagem de até 175 lpi. Para a maioria dos rótulos de consumo, a diferença não é perceptível na gôndola.

Posso começar em digital e migrar para flexo depois?
Sim, e é o caminho mais comum em lançamento de produto. A ressalva é de cor: a arte precisa ser preparada considerando a migração, porque o perfil de cor dos dois processos não é idêntico. Fechar a cor em digital e só depois pensar em flexo costuma gerar retrabalho.

O clichê fica comigo ou com a gráfica?
Isso é contrato, não processo, e varia de fornecedor para fornecedor. Vale definir por escrito antes do primeiro pedido: quem paga, quem guarda, qual a vida útil e se há cobrança na recompra. ←

Quantas cores a Lotus imprime em flexo?
Oito, em impressora flexográfica modular. A impressão digital industrial atende as tiragens curtas e o versionamento.

Fontes

Mark Andy, catálogo Performance Series · Nilpeter, especificações FB-3 e FA-4 · BOBST, MASTER M5 · Durst, Tau 340 RSC · Epson, SurePress L-6534VW · DuPont, ficha técnica Cyrel DPL (PDS NA0023) · FTA / Abhay Sharma, Expanded Gamut Study, 2019 · TAGA 2023, Kai Lankinen · Smithers, The Impact of Changing Run Lengths on Packaging and Labels to 2027